Thursday, February 28, 2008

PARATY

Ao adentar o centro histórico, nos idos dos anos 70, do século XX, sentiu-se reconfortado por ver tudo aquilo, razoavelmente preservado.
Os casarões, as igrejas e as ruas com seus pisos seculares tornavam vivo, na memória, o apogeu da Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty, cujo porto era o local, por onde a metrópole, como vampiro, sugava o ouro da colônia.
Imaginou o burburinho da época: o tráfico do ouro e das pedras preciosas, o quinto, a sonegação, os exploradores, os escravizados e os miseráveis. Todos, circulando por aqueles becos e ruas. Pensou nas paixões ali ocorridas, nos amores não correspondidos e nas esperanças frustradas.
Lamentou o descuido com os lugares históricos, que já conhecia em Ouro Preto, ante a construção de um hotel em pleno centro histórico, cujo projeto era atribuído a Niemeyer.
Emocionado, sentou-se à mesa de um bar, no Largo da Matriz. Vislumbrou a cidade no seu movimento contemporâneo e bebeu um largo trago de parati.