Sunday, March 09, 2008

A MOÇA NO RESTAURANTE JAPONÊS


Estava sentada na mesa em frente e chamava a atenção, em primeiro lugar, porque era a única, com traços ocidentais, dentre os demais que eram de ascendência oriental; depois, pela característica singular de seus grandes olhos negros.

Ocupava uma mesa redonda, ladeada por duas crianças, e, a completar o círculo, pelo lado esquerdo dela, havia uma moça, que aprentava uma idade próxima da sua; em seguida, uma senhora, cujos cabelos brancos e ombros curvados revelavam uma idade já avançada; e, finalmente, um homem, que talvez fosse o marido da nossa personagem.

Seus olhos assemelhavam-se a dois faróis, vistos de longe. Porém, não eram faróis que emitem luz própria, nem faróis apagados, mas, ao contrário, eram brilhantes e, além de captarem a luz exterior, absorviam , com intensidade e ansiosa curiosidade, tudo aquilo que estava à sua volta. Expressavam automaticamente todas as reações que, as imagens captadas, lhe provocavam: ora eram sorridentes, ora, olhar de admiração; às vezes manifestavam inquietude, outras, preocupação; mais além, eram indagadores e curiosos. E tudo isso era demonstrado por rápidos movimentos, acompanhados de meneios com a cabeça, realizados à mercê do estímulo que esta ou aquela situação lhe causava. Em certos momentos, que se repetiam com freqüência, arregalava-os, ligeiramente, transmitindo, com isso, uma leve e ligeira perturbação.

Ao perceber, que estava sendo observada, escondeu-os atrás de um par de óculos escuros.



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